A Se Colocar… Eu Me Coloquei

Reintroduzido em um aparato superficial de mim mesmo, introjetei para dentro do corpo o veneno que outrora repudiei.

Passados maus bocados, e após ter sobrevivido à supremacia de ser um falso arranjo de mim mesmo, pude então agarrar-me ao projeto remendado de sobressair ao outro de si. Pude reintroduzir determinados complexos que outrora havia deixado de lado, para enfim conseguir me observar com maior amplidão e me fazer ressurgir; agora em uma nova forma de me posicionar no mundo e estar em um conjunto.

Pude, passados tormentas e ventanias, enlaçar-me em meus próprios braços e perdoar o erro que outrora cometi. Mas não consegui juntar o ímpeto de seguir em frente e desfazer-me daquilo que me trouxera dor e lamento.

Não pude mais esperar dar-me de encontro com o sábio andarilho da estrada que aponta para o destino logo mais ali a diante, ou não. Não consegui esperar que os fatos dados trouxessem o começo de mais uma etapa de vida… e assim me pus a reinventar uma nova maneira de ser, agir e seguir. Assim pude me colocar como sou; e no simples trajar de ser o que sou… como sou, na estrada perigosa, e tentar.

Então, me coloquei. Na estrada perigosa a reinventar e seguir a trilhar, eu me coloquei. Com os olhos pintados de preto e a camisa face do rock, eu me coloquei. Inebriado por algumas doses de pesadelo e cansaço, me pus a encarar com todo o medo a minha única possibilidade de seguir, e me coloquei. Sendo eu mesmo continuo a seguir. Apenas sendo eu mesmo continuo a seguir. Firme no ato de colocar e seguro no próximo passo a dar, eu me coloquei.